27 de jun. de 2010

Explicações

Uma explicação é uma forma de raciocínio que tenta dar resposta à pergunta "Porquê?" Por exemplo: "Por que só depois de tanto tempo eu resolvi reeditar o livro dos meus dias?" Uma boa explicação seria baseada numa teoria científica ou empírica. Nesse caso, uma explicação é falaciosa se o fenômeno não ocorre ou se não houver prova de que possa ocorrer.

Por exemplo:

"A razão de rememorar coisas que nos parecem "mortas", reside no caráter de que essas coisas não estão verdadeiramente "mortas". (É uma tentativa de explicar porque razão as coisas que vivem em nós são trazidas à nossa memória. No entanto, não são todas as coisas que nos fazem reviver. Isso é uma explicação falaciosa pois, o fenômeno que nos faz reviver pode ou não ter ocorrido como, agora, pretendemos provar que ocorreu)

Uma boa explicação para que eu, depois de tanto tempo busque reeditar o livro dos meus dias é justamente o significado da palavra REVIVER: V.t. e v.i.: Voltar à vida, renascer, revigorar-se, renovar-se,Ressuscitar, manifestar-se de novo, tomar novo alento.Relembrar, recordar: reviver momentos significativos do passado.

Feitas essas considerações, explico que o que passarei a escrever aqui, poesias, musicas e RUAS, são efeitos da ressureição, da nova manifestação, do novo alento, do voltar à vida, do revigorar do AMOR.

P.S:

"Te agradeço por me trazer à lembrança
momentos de profundo amar...
O que nesse pequeníssimo espaço de tempo
seu olhar me fez recordar,
são lembranças de saudade,
momentos que nem o tempo pode apagar...
Quando sua lembrança for saudade,
do meu profundo te amar...
serei também agradecida
de para sempre te recordar."

Ana

O livro dos meus dias

Aqui começo a reescrever sobre aquela Ana de a mais ou menos vinte anos.
Pode parecer estranho, mas após esse tempo deixei todas as poesias, as músicas,as RUAS e os sentimentos guardados em mim e em recortes de papéis que desorganizadamente escondi no fundo de baú, no fundo do meu coração e no brilho de uma ESTRELA que me encontra todos os dias a piscar no céu.

Só recentemente é que encontrei minhas divagações escritas e empoeiradas em um canto qualquer. Só proximamente ao tempo de agora é que encontrei a chave do meu coração, perdida que estava num sorriso e num olhar profundo e tímido que me iluminou a alma.

Reli várias vezes o livro dos meus dias. Chorei pelo livro dos meus dias. Sorrio pelo livro dos meus dias. Revivo o livro dos meus dias.

RUAS

Morreu em 19.05.1992 "RUAS".

Estrela amiga e muito mais...

“Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.

Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante. E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais. E assim – dizem – recontam a vida.

Agora retiram de mim a cobertura da carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos e aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo. Um rascunho. Um forma nebulosa, feita de luz e sombra. Como uma estrela.

Agora eu sou uma estrela!”

Elis Regina

Sobre a autora

Eu vou falar de uma mulher
de uma qualquer
Uma fulana, mundana, sem grana
Mas que sabe o que quer

Uma mulher que a todos agrada
Que sabe ser amiga, amante
E ser dada
Que gosta de beijo
e boca de madrugada

Mulher para quem não se constrói templo
E é exemplo para aquela
que não morreu

Coisa boa de gostar
conversa boa de prosar
Doce fadiga
paixão antiga
mulher, flor
céu e chão...


P.S: Estas são palavras do Paulinho, a quem Ruas dedicou muitas inspirações. Aos dois agradeço por escreverem ou plagiarem esta abertura a tantos anos atrás, tão linda, tão verdadeira.

Velhice

Sumiu Alma
Voou beleza
Apagou-se o brilho
Na casa
Saudade ficou
A fonte secou
Energia acabou
amor partiu
A pele fosca chegou
A fonte secou

Desta casa
pouco sobrou
paredes aos pedaços se achou
por dentro tudo mudou
a tristeza hoje mora
onde a alegria passou

Bom Dia

Sentimentos e você
Aurora chegando
tão de mansinho
Entrando em nós
sem que pudéssemos sentir
Entrando
sem que claros
descobrissemos como
ou onde seu limite

Formas perfeitas
Vermelho na alma
Escura no corpo

És bela
aurora embalada
meio gente
meio terra
meio eu e você
meio nós misturados
raios amarelos, azuis, brancos
claros como o dia.

Bom Dia!

Viagem

Vai
Corre por este asfalto
que parece eterno
Encontre o espanto dentro da paz
Descubra em cada curva o renascer
em cada reta
a forma certa de viver

Procure-me em tudo que
lhe trouxer emoção
Deixe-me penetrar em sua lembrança
e acalentar sua
solidão

Embriaguês

Quando te der saudade
Me chama
Aguardarei teu grito
e irei
embriagada de vida
de sonhos
embriagada de encantos
doçura e amor
Irei

Reencontro

E se um dia
você ariscasse
o poeta soltar
Nem tolo, nem besta
você seria
E nós poderíamos
de sua sabedoria
nos embebedar...
E aí,
quem sabe?
você se arriscaria
do meu vinho provar
E assim fazendo
começaria a me amar.

Querer

Queria falar de felicidade
Brincar com as palavras
Buscá-las no meu peito
sem amargura
sem máscaras

Queria amar amando
mostrar-me sem reservas
sendo eu verdade
sem necessidade
de mentir amores e
amantes
para enganar a solidão

Sonhar e não acordar

Sonho você
Emanando toda poesia
Sonho você
Sendo toda fantasia
Sonho você
Sendo minha harmonia
Não vou mais acordar

Cinderela

Quando muito pequenina
Cinderela me sonhei
dos meus sonhos de menina
Borralheira me tornei
Lavei, passei, cozinhei
Não chorei quando queria
Não amei quando sentia
mas a vida oferecia
meu destino de mulher
muitos filhos pra cuidar
muita casa pra arrumar
muita roupa pra lavar
muita fala pra calar
Dos meus sonhos de menina
Só lembranças a acalentar
Lembranças perdidas no tempo
Sem esperança de mudar

Liberdade

Tenho tudo
Nada tenho

Vivo para amar
Amo para viver

Minha gente não entende
Liberdade é tudo ou nada

Meus caminhos são escuros
Os meus sonhos alvorada
Meus caminhos eu não curo
Os meus sonhos dão em nada

Minhas lágrimas são um rio
correteza de água salgada
que chora desconsolada
a LIBERDADE sonhada

Nas Minas Das Gerais

Nos caminhos de Minas
Ilusões se propagam

Nos caminhos de Minas
Luzes se apagam

Nos caminhos de Minas
Irmãos se afagam
Comungam verdades
dor, história

Na procura pela Liberdade
entre grades que amargam
fardas e mentiras,
homens vivem de sonhos
e glória

Sonho

Dê-me um segundo
e dou-te um sonho

Dê-me um momento
mostro-te como sonhar
criando imagens difusas
da vontade sublimar

Dê-me um tempo
e dou-te um olhar

Dê-me um espaço
e ensino-te mirar
o que de melhor
a vida tem para dar

Dê-me segundo,
minuto e espaço
o que puder me arrumar
E dou-te a alegria
de saber amar

Do amor

Ser inteiro
Meio
Total
Embebedar de você
Curar de mim
delirar
por cada poro suar
em cada pensamento
te ser

Da vida

Mergulhar no sorriso
Acreditar
Bailar nos caminhos
Amar
Me perder em delírios
e caminhar...

Fim desse tempo

Caminhamos
Achamos nossa estrada
Paramos
tentamos descansar
Muitos passaram por nós
às vezes apressados
às vezes lentos
Alguns, imóveis,
ouviram nossas histórias
participaram delas
E se foram apressados
ou lentos, a divagar
Voltamos a andar
fortalecidos
e certos que no final
ou antes
seremos felizes.

A morte em doses

Corri para dentro de mim
Não me encontrei
Corri para fora de mim
Me assutei
Corri daqui
Corri de lá
Caí
Não me levantei
E a morte em doses lentas
sorrindo
promete ficar

Atriz

Corro na vida
Me escondo
Luto no escuro
Me arranho

No fio da vida
Fico amarrada
Dou pernada
dou risada
e equilibrada
carrego a vida
dando risada

Pintura

Na tela dos meus sonhos
pintei você,
pintei sua alma,
pintei seu coração.

Encontrei-o em outras telas
em outros sonhos
em outros corações

Corri, enlouqueci
perdi o rumo
me achei aos pedaçõs
e
calmamente
me reconstitui
para retornar
a achar meus sonhos
sem você.

Caminhar vazio

Caminhei só
acreditando ter você ao
meu lado
Construi sonhos
que se desmancharam
quando na vida
acordei...

Acabou

Acabou o sonho
o toque
o carinho
Apaguei
sua sombra
do meu caminho
Andei só
desiludida
perdida na solidão
te buscando
só em mim

Passagem de Ruas

Por que
viver e ser assim?
morrer e estar aqui?
ter que continuar?
Mortos vivos,
imunes continuamos...
Continuamos correndo dentro de nós
vasculhando sensações
e rindo, rindo....
mémoria do sorriso perdido
e que não se encontra mais...
E Ruas continua alegrando-se
dentro de nós.